quarta-feira, 1 de junho de 2011

Boa Ação Do Dia

Mania das pessoas de achar que a vida do seres humanos vale mais do que, por exemplo, a vida de um cachorrinho. Hoje, estava eu voltando do dentista, com minha mãe, no carro. O escolar da frente estava parado, mais tarde iríamos reparar, por causa de um fusquinha. Fomos para o outro lado da pista. De repente ouvi um ganido agudo e alto, repetido e longo. O desespero e a dor eram evidentes.
Fale com minha mãe:
-Um cachorro está chorando!
Do meu lado da janela dava pra ver a cena parcialmente: uma mulher desesperada, olhando para o cachorro, e pedindo para que as pessoas não encostassem. Paramos e baixei minha janela:
-Quer carona para o veterinário?
-Sim- disse a moça- mas como vou tirá-la daqui?
Ela pegou o casaco de lã e enrrolou na cadela. Agora, dava para ver perfeitamente: um corpo canino pequeno, preto, com as patas brancas e com pequeninas manchas pretas. Quando ela trouxe a cadela ao colo, imediatamente parando de ganir, ela apoiou a cabeça no seu antebraço.
Da janela, dava pra ouvir comentários como "Nossa, a roda ficou bem em cima da patinha dela!", "Você viu o tamanho do carro que a atropelou?".
- Aquele filho de uma puta...! Passou com uma picape na pata da coitadinha! Nem parou pra socorrê-la...!
Com o desespero, pensei que o cachorrinho fosse da moça, mas não. Era um cachorro de rua, um vira-latas qualquer. Qualquer não. Não mais. Não para aquela moça. Ela se compadeceu com a cadela estirada na rampa azul da calçada, largou o filho pequeno com sua mãe e foi ajudá-la.
- Vou a veterinária tal.- Disse.
Descido carro e abri a porta. Ela desceu com a cadela nos braços, com o rosto vermelho e com os olhos mariados.
-Muito obrigada.
Chegou à porta da veterinária. Uma moça de jaleco branco olhou, e falou algo. Depois a moça entrou.
Isso aconteceu há menos de uma hora atrás.
Mania das pessoas de achar que a vida de um ser humano vale mais do que a de uma cadela, que, estirada na calçada, implorava por ajuda. Imagine se fosse uma pessoa, ao invés de um cachorro nessa situação. Não seria apenas uma moça que iria se compadecer. Não iria se formar apenas um grupo de 7 ou 8 pessoas em volta do corpo. Talvez, a rua se enchesse de gente, chamariam a ambulância, gritariam por ajuda. Mas... É claro, é só mais um vira-lata atropelado numa rua movimentada. Não será o primeiro, muito menos o último.
Ridículo... Bem, mas essa foi a minha boa ação do dia.

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